Trópico de Capricórnio

Círculo menor da Terra, paralelo ao Equador, situado nas coordenadas 23º 27' de latitude sul. Representa o limite sul da declinação do Sol.

10.12.11

Água

Peixe e água são a mesma coisa, e a água, muito mais do que a terra, é um mundo sem fronteiras.
Para se movimentar na água, não é necessário ater-se ao chão.



Ao elemento ÁGUA corresponde a função do SENTIMENTO. A água percebe as coisas pela via emocional. O importante é o sentimento despertado por uma pessoa, objeto ou situação. É a subjetividade, o instinto, a intimidade, a imaginação, o sonho, a mediunidade, a profundidade. O elemento água é dotado de grande sensibilidade e poder psíquico, pois sua linguagem é a do coração, o que gera envolvimento profundo com as vivências emocionais. Apesar de necessitar de relacionamento, o medo pode levar os nativos deste elemento à reserva e solidão (tudo é vivido interiormente). A água necessita de estímulo do exterior. Através do contato emocional com o mundo sente coisas que muitas vezes não podem ser explicadas. Os signos que pertencem a esse elemento são CÂNCER, ESCORPIÃO e PEIXES.CÂNCER é a água primordial das fontes que protege a prole (instinto de proteger o que é frágil): sensibilidade, imaginação. ESCORPIÃO é a água dos pântanos, a água que “dorme”: mistério, transformação, magnetismo. PEIXES é a água dos oceanos, nos quais todos os rios vêm fundir-se: osmose, empatia. Pense na água: é moldável, não tem forma definida, flui, jorra, remete-nos à algo interior... O excesso de água gera sensibilidade exagerada, suscetibilidade psíquica e emocional, emoções à flor da pele, carências, medos, apreensões, inseguranças. Também uma intensa vida interior com fantasia, imaginação e criatividade, que no entanto, deve ser canalizada positivamente. A falta de água pode ocasionar dificuldade em admitir e expressar sentimentos e emoções, desconfiança de intuições e da vida interior.

14.2.10

Valentine's

Eu amo-te. E não me custa. É um acto de egoísmo. Mesmo que tu me odiasses mas te odiasses tanto a ti própria que não te importasses de ficar comigo, eu seria feliz e agradeceria a Deus a tua inconsciência; a tua generosidade; qualquer estupidez ou inteligência que te mantivesse perto de mim.
A sorte não é amar-te nem tu me amares.
A sorte é ter-te ao pé de mim. Tu podes estar enganada. Deves estar enganada. Mas ninguém neste mundo, por pouco que me ame ou muito que te ame, está mais certa para mim.

Obrigado
.

(Miguel Esteves Cardoso, in Público)

1.1.10


Pus o meu sonho num navio

e o navio em cima do mar;

- depois, abri o mar com as mãos,

para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas

do azul das ondas entreabertas,

e a cor que escorre de meus dedos

colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,

a noite se curva de frio;

debaixo da água vai morrendo meu sonho,

dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,

para fazer com que o mar cresça,

e o meu navio chegue ao fundo

e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;

praia lisa, águas ordenadas,

meus olhos secos como pedras

e as minhas duas mãos quebradas.



(Cecília Meireles)

19.4.09

Deixa-te estar embalada no mar nocturno
onde se apaga e acende a salvação...

Deixa-te estar na exaltação dos sonhos sem forma:
com ela caminha o horizonte dos meus braços abertos,
e por cima do céu estão meus olhos pregados, guardando-te.
Deixa-te balançar entre a vida e a morte, sem nenhuma saudade
deslizam os astros na abundância do tempo que cai:
nós somos pequenos como um ponto de pólen rodando entre os mundos.
Deixa-te estar neste embalo de água gerando círculos...
Nem é preciso dormir para a imaginação desmanchar-se em figuras
ambíguas...
Nem é preciso fazer nada para se estar na alma de tudo...
Nem é preciso querer mais, que vem de nós um beijo eterno
e afoga a boca da vontade e os seus pedidos...


Cecília Meirelles








Imprevisível - Mafalda Sacheti

11.4.09

Gaivota


(...) nesse céu onde o olhar é uma asa que não voa (...)
Alexandre O'Neill





Gaivota - Cristina Branco

4.4.09

Ave Mundi



E tu, nobre Lisboa que no Mundo

Facilmente das Outras és Princesa…


Luís de Camões, in Os Lusíadas























(...)

tu és da cidade onde vives por um fio

de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro

sem a moeda falsa do bem e do mal

Nesta curva tão terna e lancinante

que vai ser que já é o teu desaparecimento

digo-te adeus

e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti



Alexandre O’Neill in Um Adeus Português





Ave Mundi - Rodrigo Leão & Vox Ensemble
















31.3.09


Podem cortar todas as flores, mas não poderão deter a Primavera.



P. Neruda




28.3.09

Ahora me dejen tranquilo.
Ahora se acostumbren sin mí.

Yo voy a cerrar los ojos.

Y sólo quiero cinco cosas,
cinco raíces preferidas.

Una es el amor sin fin.

Lo segundo es ver el otoño.
No puedo ser sin que las hojas
vuelen y vuelvan a la tierra.

Lo tercero es el grave invierno,
la lluvia que amé, la caricia
del fuego en el frío silvestre.

En cuarto lugar el verano
redondo como una sandía.

La quinta cosa son tus ojos,
no quiero dormir sin tus ojos,
no quiero ser sin que me mires:
yo cambio la primavera
por que tú me sigas mirando.

Pablo Neruda






The Postman Poet/Postino Poeta - Original Score

24.3.09



O meu país sabe as amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda
cedo para cantar nas silvas.

Raramente falei do meu país,
talvez nem goste dele,
mas quando um amigo me traz
amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país
o céu é azul.




Sophia de Mello Breyner Andresen







Minha Pátria é a Língua Portuguesa

(para AM)

"Um dia,
lá para o fim do futuro,
alguém escreverá sobre mim um poema,
e talvez só então eu comece a reinar no meu Reino."




Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,

Ama as tuas rosas.

O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos

Do que nós queremos.

Só nós somos sempre

Iguais a nós-próprios.


Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode

Dizer-te. A resposta

Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo

No teu coração.

Os deuses são deuses

Porque não se pensam.


Ricardo Reis (1/7/1916)





23.3.09


Tenho medo de que um dia
queiras
cessar esse rio de
águas ardentes
onde mais
do que os corpos
tocam-se as almas,
anjos desatinados luzindo no breu.



O que te escrevo é um "isto".

Não vai parar: continua.
Olha para mim e me ama.
Não: tu olhas para ti e te amas.
É o que está certo.
O que te escrevo continua
e estou enfeitiçada.







21.3.09






Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros.

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considero a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela, não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.




19.3.09


Uma poesia ártica,
claro, é isso que eu desejo.
Uma prática pálida,
três versos de gelo.
Uma frase-superfície
onde vida-frase alguma
não seja mais possível.
Frase, não, Nenhuma.
Uma lira nula,
reduzida ao puro mínimo,
um piscar do espírito,
a única coisa única.
Mas falo. E, ao falar, provoco
nuvens de equívocos
(ou enxame de monólogos?)
Sim, inverno, estamos vivos.

Paulo Leminski




18.3.09

"Creio que todos padecem, se são poetas.


Porque, afinal, se sente que o grito é o grito;


e a poesia já é o grito (com toda a sua força)


mas transfigurado."



Cecília Meireles





Houve um tempo em que minha janela
se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.

Perto da janela havia um
pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes
encontro nuvens espessas.
Avisto crinças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refelectidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem
personagens de Lope de Vega.
Às vezes um galo canta. Às vezes um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
Eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela,
uns dizem que essas coisas
não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas,
e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.




15.3.09

Suis les mots du poète

Viens, fais la fête!
Viens danser toujours!
Célébrer l'amour!



La Bourguinerie, MM (Vézac, Perigord Noir, Junho 2008)



Sèche tes larmes.
Regarde autour de toi,
Souris à n'importe quoi!


Alice Waters (c) Annie Leibovitz (Rocktown Apple Orchard, New Jersey)




Il faut toucher les choses!
Bois ton vin!
Sent tes roses!

Suis les mots du poète:
Prends la vie,
Fais la fête!

Viens, vis la valse,
Vis l'éclat des jours,
Viens chanter l'amour!

Ouvre tes portes,
Reçois la vie chez toi!
Gonfle ton cœur de joie!



Porque hoje é domingo, deixo-vos uma receita da Allice Waters (Chez Panisse*) para o almoço. Deliciosa e estaladiça, deve ser elaborada apenas com produtos orgânicos, para repor as energias positivas:


Salada de Queijo de Cabra Panado
  • 220 gramas de queijo de cabra
  • 1 copo de azeite extra virgem
  • 3 a 4 molhos de tomilho fresco picado
  • 1 molho pequeno de alecrim fresco
  • 1/2 baguetes (de preferência use do dia anterior)
  • 1 colher de sopa de vinagre balsâmico
  • 1 colher de chá de vinagre de xerez
  • Flor-de-sal e pimenta de moinho
  • 1/4 de copo de azeite de noz (os melhores são os do Perigord, mas pode substituir por uma mistura azeites de frutos secos)
  • 250 gramas de folhas novas (variedade de alfaces, rúcola e espinafre baby)

Corte o queijo de cabra em pedacinhos em 8 discos de 1 cm e meio de espessura. Deite o azeite sobre os pedaços e cubra-o com as ervas picadas. Reserve em local fresco por 1 hora no mínimo, protegido por película aderente.

Pré aqueça o forno a 150C. Corte as baguettes à metade e deixe no forno durante 20 minutos aproximadamente. Desfaça o pão torrado na varinha mágica ou no 123 e reserve (dura até 1 semana).

Pré aqueça o forno a 200C, remova os discos de queijo da marinada inicial e envolva no pão desfeito, formando uma camada bem grossa. A seguir, os discos panados vão ao forno numa assadeira durante 6 minutos.

Junte os vinagres numa tigela e adicione um pouco de flor-de-sal, misturando muito bem com um pouco de pimenta. Tempere a gosto.

Lave e corte as folhas, adicione o vinagrete. Com uma espátula de metal, coloque 2 discos de queijo ao meio do prato e sirva com as folhas à volta.

Para acompanhar, um proseco bem frio. Bom domingo!

Chez Panisse Café Cookbook (by Allice Waters, 1999)

* Chez Panisse Café e Restaurant

1517 Shattuck Avenue

Berkeley,CA

(510) 548-5525







Faixa 14 - Rodrigo Leao





11.3.09

Todo o meu olhar é desperdiçado por saber que tu não vês nada.

(José Luís Peixoto in "Nenhum Olhar")




Photo (c) Hilda Alves



As minhas palavras aqui são como as palavras escritas num papel branco que se mantém branco com essas palavras invisíveis de alguém que as leia, palavras a envelhecerem por não haver quem as compreenda, a perderem o seu significado, a misturarem-se imperceptíveis numa brisa em que ninguém repara. (…)







Brisa do coração - Dulce Pontes

A habilidade de estar entre dois mundos
Nos piscianos, a habilidade de estar entre dois mundos é, a um tempo só, dilacerante e maravilhosa. Imagine que um seja de água doce e o outro de água salgada. Na confluência das águas, um peixe de água doce pode ir para a salgada e vice versa. Mas não por muito tempo, pois acaba voltando para o seu habitat. Igualmente, o pisciano transita entre dois mundos, sem no entanto poder permanecer por muito tempo em cada um. Ele busca a inspiração no Céu e retorna a Terra. Se fica só na Terra, sente falta do Céu, seu lugar de inspiração. Mas se fica só no Céu, nada pode fazer na Terra.

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